O século XXI trouxe consigo, novos paradigmas, novos olhares para a educação. É tempo de mudanças. O ensino, que antes valorizava o conteúdo, passa a valorizar a pessoa. Se a primeira pergunta era “o que ensinar?”, passa a ser “a quem ensinar?” e “para que ensinar?”. Logo, o perfil do educador muda. Seu novo papel é de colaborador. E nessa percepção, é de fundamental importância que ele(a) conheça seus alunos, a começar pela comunidade em que estão inseridos, a fim de planejar a sua ação.
Para que o processo ensino-aprendizagem ocorra de forma objetiva e direcionada a comunidade em que a escola está inserida, é necessário que se reconheça as necessidades e as prioridades desta comunidade, sua organização cultural e sua realidade sócio-econômica, a fim de que as práticas docentes sejam desenvolvidas dentro desta postura.
O trabalho que segue, vem demonstrar a realidade de uma comunidade no entorno da Escola Municipal de Educação Infantil Mutirão, localizada a Rua Saquarembó, s/n, bairro Mutirão, no município de Santa Vitória do Palmar/RS.
Através de um levantamento e análise de dados acerca desse contexto, apresentamos as condições de cada família visitada, sua escolaridade, situação sócio-econômica, elaboramos tabelas e gráficos comparativos com dados do INEP, referentes a estatísticas do país, estado e município, visando a construção de conhecimentos sobre tal contexto escolar, que irão subsidiar trabalhos vindouros bem como práticas educativas com foco no desenvolvimento cultural dessa sociedade.
LEVANTAMENTO DE DADOS DO CONTEXTO ESCOLAR
EMEI MUTIRÃO: PRIMEIRAS APROXIMAÇÕES
Como abordagem metodológica, temos uma pesquisa quantitativa. O processo de apreensão da realidade foi feito por meio de entrevistas estruturadas com os responsáveis por trinta famílias selecionadas, residentes no entorno da escola citada. Fizemos uma breve análise de tabelas de indicadores socioeconômicos.
Como todo trabalho de pesquisa exige, começamos pelo planejamento. Assim, determinamos as fases da presente pesquisa, como segue:
- determinação do tema pelo formador;
- organização do grupo;
- escolha da Escola, objeto da pesquisa;
- divisão das tarefas;
- cronograma;
- visita de apresentação a gestão da escola;
- coleta de dados
- reunião dos dados coletados
- elaboração de gráficos e tabelas
- análise dos dados
- relatório final
A partir deste planejamento, foi possível realizar a coleta de dados, e partirmos para a nova fase: a análise dos mesmos, comparando-os com as estatísticas do INEP, e a elaboração deste relatório.
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O número de cômodos, e, subentenda-se conforto, nas residências varia conforme a renda da família. Se observarmos a “Família 3”, nesta tabela, e verificarmos a mesma família na tabela II, perceberemos que sua residência é composta por três (03) cômodos, e que a mesma é numerosa (9 pessoas), e se continuarmos verificando na tabela III, perceberemos que apenas uma pessoa da família foi mencionada como “trabalhando”.
Esta pessoa tem 40 anos, é do sexo feminino, com apenas um (01) ano de escolarização e seu emprego é informal, doméstica, com renda de aproximadamente um (01) salário mínimo, o que caracteriza extrema pobreza. Já a “Família 21” tem residência com cinco (05) cômodos ou mais, é formada por um casal de aproximadamente 30 anos, com Ensino Fundamental Incompleto e um filho de 10 anos cursando o Ensino Fundamental, os dois adultos trabalham, sendo que um com emprego informal e outro formal com renda fixa de aproximadamente um (01) salário mínimo, que apesar de ser a mesma renda da “Família 3”, possibilita que tenham mais móveis e eletrodomésticos que esta, já que a mesma tem o triplo de pessoas.
A sua situação econômica não está diretamente relacionada a escolarização, e sim ao emprego formal, já que os adultos que trabalham, tem respectivamente, 2 e 4 anos de escolarização. Os adolescentes de 19 e 16 anos que residem na casa, têm Ensino Fundamental Incompleto, ou seja, não estão na série escolar adequada a idade.
Comparando com o gráfico II, observa-se que mais da metade (17) das famílias entrevistadas disseram ter renda de até 1 salário mínimo mensal, 9 famílias disseram ter renda de até 2 salários mínimos, 1 até 3 salários mínimos e 1 com 4 salários mínimos o que evidencia o grau de pobreza que vivem os moradores das proximidades do EMEI Mutirão.
Gráfico II
CONCLUSÃO
Considerando que os dados coletados e analisados trazem a público as diferenças na comunidade escolar da EMEI Mutirão, e que o número de alfabetizados é acentuadamente superior a taxa de analfabetos, que estes são na maioria idosos, sendo que os mais jovens têm mais anos de escolarização, e que de um modo geral esse índice está intrinsecamente relacionado com a estrutura sócio-econômico-cultural dos entrevistados, conclui-se que esta realidade escolar requer o perfil de uma classe docente motivada e capacitada em ampliar essa característica, já que, mesmo sendo melhor, relacionada com estado, município e país, a maioria das pessoas com mais de 15 anos tem ensino fundamental incompleto, e ensino superior não é uma realidade entre os moradores da região.
Sem dúvida, essa comunidade requer um projeto de Políticas Públicas que contemple com recursos materiais e humanos para o desenvolvimento educacional – embora o número de analfabetos seja menor em relação ao país, a cidade e o estado -, garantindo aos discentes uma formação cultural, respeitando suas crenças, costumes e organização cultural.
Ressaltamos ainda a importância desse trabalho para a qualificação de nossa formação docente. Ele serviu como introdução a nossa tarefa de professor/pesquisador, a que estamos sendo preparados.
BIBLIOGRAFIA








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